Mindfulness como alternativa a depressão e ansiedade

Olá pessoal, hoje quero tratar aqui de um tema bem interessante e por sinal bem bacana, que tenho estudado e praticado como técnica alternativa ao tratamento dos transtornos de ansiedade, depressão e pânico chamado Mindfulness. Técnica esta que tem total base científica e é recomendada por terapeutas ao redor do mundo, em especial da linha cognitiva comportamental. Vale aqui lembrar, como disse, que é um tratamento alternativo e, que jamais deverá ser trocado por um tratamento já em andamento, principalmente medicamentoso e farmacológico. Vale também ressaltar que além de um tratamento, e se assim podemos dizer, ele é um exercício de conscientização da “atenção plena” que pode ser praticado não somente por quem já está em algum quadro de transtornos psíquicos, mas também, como medida preventiva, por aqueles que não foram diagnosticados com qualquer tipo de transtorno, mas que desejam ter uma mente mais tranquila, mais saudável e mais atenta ao “agora”, ao “momento presente”, evitando assim preocupações e stress desnecessários.

Vamos lá… não quero aqui entrar no contexto da história do mindfulness (fundador, origens, descoberta, ano de criação, etc), pois gastaria certo tempo descrevendo tudo isso e, o Dr. Google tem muito mais informações sobre isso do que eu, quero aqui apenas apresentar a minha visão e experiência com esta prática, que embora pareça algo simples e sem valor, no meu ponto de vista e de acordo com uma série de pesquisas científicas ao redor do mundo, tem demonstrado pontos positivos e melhora na qualidade de vida das pessoas. Ainda estou “engatinhando” no mindfulness e confesso que tem sido bem difícil, mas como com os exercícios físicos em uma academia, o que realmente irá apresentar resultado a médio/longo prazo sempre será a prática.

Vale aqui fazer uma ressalva, nem tudo serve para todo mundo. Cada um terá um processo de tratamento e de cura muito específico e personalizado. Portanto aqui, o sentimento de cobrança e de culpa é o que tem menos valor e importância.

Mindfulness pode ser traduzido como “Atenção Plena” ou para muitos somente “Consciência”. É estar totalmente voltado para o presente, para o momento atual, para aquilo que se está fazendo agora. (Como lendo este texto).

Nós seres humanos temos a tendência de estarmos constantemente com a mente no passado e/ou no futuro e, para aqueles que passam por um transtorno afetivo, de ansiedade, depressão, pânico, agorafobia, etc, essa tendência é ainda mais acentuada e intensa, principalmente quando a pessoa é dominada por pensamentos negativos, preocupações excessivas e obsessivas, sintomas psíquicos e físicos, etc. Portanto, o mindfulness vêm como uma “ferramenta” alternativa e prática de atenção ao momento presente, com o intuito de “deixar de lado” aquilo que sequestra nossa atenção e de certa forma nos atormenta psicologicamente.

Primeiramente devo dizer, por experiência própria que, tentar lutar com os pensamentos negativos, obsessivos, pessimistas, depressivos, ansiosos, etc, é a pior maneira de se tentar alcançar algum tipo de melhora e se livrar deles. Esta é uma tendência comum do ser humano, tentar “lutar”, “enfrentar”, “controlar”, “querer entender”, etc, o que está acontecendo na própria mente com um turbilhão de pensamentos. Essas práticas só nos deixam ainda mais exaustos, fracos, desanimados, irritados, perturbados, sem concentração e até mesmo mais agitados e ansiosos. Isso o mindfulness explica em sua prática e teoria. Tentar lutar e fugir das perturbações psíquicas nos aprisionam ainda mais a elas, dando cada vez mais força e intensidade as suas manifestações. Esse constante esforço na tentativa de se livrar dos pensamentos indesejados, torna-se um processo de “ruminação”. O pensamento nada mais é do que um evento psíquico sem força alguma e, precisamos ter isso em mente. Ele não tem o poder de nos dominar e, somente adquire este “poder” quando damos total atenção a ele, que normalmente estará direcionado ao passado com frustrações, culpas, complexos, desamor, etc, ou ao futuro com medos, preocupações, ansiedade, angustias. Até mesmo quando pensamos positivamente geralmente estamos presos ao passado e/ou futuro, com boas lembranças, saudades, saudosismos e/ou ansiosos por adquirir algo, conquistar alguma coisa, alcançar um objetivo específico, etc, e assim sempre desprezamos o momento presente e, isso não é nada bom. Dessa forma sempre estamos presos ao que passou ou ao que vai e pode acontecer, sendo que na maioria das vezes nem acontece.

A essência do mindfulness, dentre seus diversos aspectos de meditação, respiração, exercícios de postura, “relaxamento” (o objetivo não é o relaxamento, mas pode acontecer), é o treinamento sistemático da atenção plena segundo diz o livro:”Manual prático de Mindfuness (2016) – Editora Pensamento”. Livro este que tenho utilizado e aprendido ainda mais sobre suas técnicas e práticas, em conjunto com meu processo de terapia cognitiva comportamental.

OBS: No contexto de meditação, como uma das características da prática mindfulness, em nada tem a ver com religião ou espiritualidade. Apenas como exercício de direcionamento da atenção.

Alguma vez, você e/ou eu conseguimos resolver um problema, somente através do constante e desgastante processo de pensar, pensar, pensar, pensar?

Pois bem, com certeza sim, no mundo externo, real e físico, seja no trabalho, na escola, na faculdade, na casamento, com as contas, etc. Mas em relação aos problemas internos e interiores a nossa mente funciona de forma totalmente diferente quando precisamos “resolver algo”. Aí, meu caro, não basta pensar, pensar, pensar, pensar… isso é a tal da “ruminação” que citei acima. Esse processo se torna um ciclo vicioso que gera desgaste físico e emocional, gerando eventuais problemas comportamentais, como evitação, fuga, angustias, baixo auto-estima, complexos, negatividade, medos, etc, e normalmente é daí que surgem certos transtornos psíquicos (embora muitos deles sejam multifatoriais – gerados também por outros fatores).

O Mindfulness não tem absolutamente nada a ver com controle da mente, porque na verdade, já é comprovado cientificamente que não se pode controlar a própria mente (não cabe aqui entramos no tema hipnóse), mas sim direcionamento da atenção, de forma livre, sem culpa, sem auto-crítica, sem esforço, com aceitação e compromisso, mesmo que os “maus” pensamentos venham para tentar nos perturbar. É um processo de escolha do agora! É treinamento, é prática! O stress, as preocupações, os medos, obviamente existirão, ainda mais nos dias de hoje, mas o mindfulness nos leva a esta percepção do momento presente, retirando toda carga negativa da perturbação mental e nos conduzindo a condição humana de possuirmos e aceitarmos um processo altamente complexo de raciocínio, atenção, escolha, deixando passar o que não tem importância no momento. Em neurociência podemos citar o cortéx pré-frontal como o “local” do cérebro que nos proporciona esta capacidade de raciocínio mais complexo e específico de atenção ligado aos sentidos e, em contraponto o sistema límbico já tende aos processos emocionais, e aqui, cito a amígdala cerebral como um “local” em que “fervilham” e “burbulham” os sentimentos, em especial os ruins que tanto nos perturbam.

Portanto, para finalizar este texto, com o intuito de incentivar os leitores a buscarem ainda mais informação sobre o mindfulness, quero motivá-los a realizar de forma simples, gradual, sem pressa, sem culpa, sem medo, sem auto-críticas, a experiência de desapego dos padrões de pensamentos já adquiridos e a forma de tratá-los, sem o esforço constante da luta, do controle, da ruminação, do querer entender tudo. É necessário aceitação, é necessário compromisso, é necessário atenção ao momento presente, é necessário estarmos atentos ao que está acontecendo agora, neste momento, pois é o agora que realmente importa, mesmo que ainda ocorram pensamentos tendenciosos ao negativo. É preciso estar consciente ao conceito da atenção plena que gera e proporciona interesse, respeito, tolerância, bondade, boa vontade, tudo isso para com os outros e principalmente para consigo mesmo, não de forma egoísta e individualista, mas na busca de uma melhor qualidade de vida, justamente para melhor se relacionar com os outros, com o mundo e consigo mesmo.

Já ouviu dizer que existem pessoas que estão presas fisicamente, porém livres psicologicamente e por outro lado existem pessoas livres fisicamente que estão totalmente “presas” em si mesmas? Pois bem, mindfulness vem justamente para proporcionar esta liberdade. É a liberdade do agora!

Busque mais informações sobre o tema. Vale a pena! Estamos juntos!

OBS: O livro “Manual Pratico de Mindfulness (2016) Editora Pensamento, foi utilizado como fonte e referência para este texto.

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