Hoje quero aqui escrever sobre a dimensão da psicoterapia no tratamento dos transtornos psíquicos e não só isso, mas a psicoterapia como um “suporte à vida” para todas as pessoas, independente de sua condição e de seu estado psíquico atual (diagnosticado com algum quadro de transtorno mental ou não), ou seja, ela é para todos!
Primeiramente é necessário entender um pouco sobre: quem são, qual a formação, como atuam, quais as linhas de abordagem e clínica dos psicoterapeutas? Para isso, existe uma postagem neste blog chamada “A quem devo recorrer?” que responde de forma bem resumida e objetiva todas essas questões, citando a figura do psicólogo, do psicanalista e do psiquiatra. Vale a pena ler primeiramente esta outra postagem, para melhor compreender esta aqui.
Ainda nesse processo de familiarização da psicoterapia é, preciso ter em mente que todo psicoterapeuta “sério”, comprometido com a ética e com a responsabilidade de corresponder aos anseios de quem o procura para um processo de psicoterapia, possui uma formação específica e profissional, ou seja, tem conhecimento apropriado e científico para exercer tal atividade. Isso já seria uma questão um tanto quanto confortante e, já deveria nos deixar mais tranquilos e seguros quando pensamos em buscar este “suporte” para os mais diversos questionamentos e auxílio nas dimensões psíquica, afetiva, emocional, comportamental, etc, e, para tudo aquilo que engloba a nossa existência.
Pois bem, baseado na minha experiência com a terapia e, naquilo que leio e estudo sobre o tema, é de fundamental importância que, para realmente um processo psicoterapêutico surtir os efeitos esperados (e aqui penso que “o esperado” nem sempre é o que realmente se irá encontrar na terapia – este assunto é bem mais complexo), ou seja, aos anseios da pessoa a ser analisada, tratada, ou se assim podemos dizer, do paciente, o principal é que haja extrema confiança, reciprocidade, afeto, e compaixão entre as figuras do psicoterapeuta e paciente. Vamos utilizar o termo paciente daqui pra frente!
E é obvio que isso não se dá na primeira, na segunda ou terceira sessão. Isso é um processo, como a própria psicoterapia o é. Mas é de fundamental importância para se chegar a algum lugar.
Outro ponto um tanto quanto importante, é a paciência, sentimento este que é muito difícil de ser controlado principalmente por quem está “transtornado” (no sentido figurado e/ou literal) e deseja que seus “problemas” e anseios sejam resolvidos como em um passe de mágica. Vale aqui ressaltar que todo psicoterapeuta é um ser humano como você e eu (risos), que também, embora possua toda bagagem acadêmica e científica, também possui limitações, falhas, determinados tipos de comportamentos, enfermidades, visões de mundo, experiências pessoais, traumas, etc, que o fazem ser quem é e comportar-se da maneira que se comporta seja durante a sessão, seja em sua vida pessoal. O psicoterapeuta não é um ser sobrenatural conhecedor de tudo, que tem todas as respostas, que tem o poder de entrar na sua mente e enxergar tudo que acontece por lá. Na verdade, durante as sessões de terapia, você e eu perceberemos que as respostas já estarão presentes em nós mesmos (principalmente em uma abordagem humanista e existencial ou na psicanálise por exemplo), e que cabe ao terapeuta nos auxiliar a encontramos essas respostas, mas isso quero tratar mais a frente. Quero apenas complementar, ainda em relação a dimensão da paciência, que este “casamento” terapeuta X paciente, precisa estar embasado em um espírito de verdade e de colaboração, livre de todo preconceito e censura, de modo que o paciente também não se torne um “refém” da psicoterapia, mas que, com o auxílio do psicoterapeuta, ele mesmo conduza o processo terapêutico, confiante de que o psicoterapeuta estará ali como alguém para guiar e como que “iluminar” o caminho pelo qual o paciente deseja seguir, principalmente quando este último entender que o caminho está sendo “desviado” ou “negado” pelo próprio paciente.
O campo analítico da psicoterapia é muito vasto e são diversas abordagens, técnicas, processos e práticas psicoterapêuticas existentes e, cabe ao terapeuta definir o processo pelo qual o paciente deverá ser tratado, até mesmo podendo este não aceitar o próprio paciente em sua clínica, não por preconceito ou falta de interesse, mas por questões profissionais, pessoais e principalmente devido sua especialização (linha de abordagem em que tem maior conhecimento, experiência e propriedade), podendo assim indicar o paciente a outro psicoterapeuta, conforme suas demandas e necessidades.
Citando a palavra “demanda”, ou seja, aquilo pelo qual o paciente busca auxílio terapêutico, seja por problemas no casamento, no trabalho, com os filhos, para enfrentar desafios, para se tratar de transtornos psíquicos como fobias específicas, depressão, ansiedade, transtornos de personalidade, crises existenciais, ou seja, problemas consigo mesmo (talvez o que mais acontece), entre tantos e tantos casos, quero aqui trazer a figura de Jacques Lacan (do qual tenho estudo e me admirado com seu conhecimento), um dos grandes e mais conceituados psicanalistas que sucederam Freud. Lacan em sua teoria psicanalítica apresenta o conceito de demanda e desejo e, não quero eu aqui ousar apresentar toda esta teoria (sei das minhas limitações – risos), mas apenas fazer um paralelo com aquilo que citei acima, quando disse que todas as respostas já estão dentro de nós e que o psicoterapeuta, com sua experiência e sua visão atenta (ou melhor audição atenta – risos) irá nos guiar às nossas verdadeiras respostas, ou seja, nesse paralelo quero dizer que chegamos ao psicoterapeuta com nossas demandas (uma série de coisas a falar) e ele nos conduz ao conhecimento dos nossos verdadeiros desejos. Ele nos auxilia a encontrarmos em nosso interior nossas reais verdades, o nosso “EU” verdadeiro que vai além de tudo aquilo que pensamos estar buscando. O psicoterapeuta com certeza tem experiência de vida, clínica, prática e profissional para nos auxiliar em tomadas de decisões momentâneas mais concretas em relação ao nosso dia a dia em uma dimensão mais comportamental, mas é de fundamental importância que estejamos abertos a necessidade de adentramos em nossa subjetividade, ou seja, é preciso coragem para adentrarmos no intimo de nós mesmos e daquilo que pensamos sobre nós, sobre os outros e sobre o mundo e tudo isso com muito respeito, amor próprio, compaixão, aceitação e responsabilidade.
Daí a importância de um processo de psicoterapia, diante do dinamismo de nossa vida, de nossa história, de nossa vivência cheia de altos e baixos, de nossos comportamentos muitas vezes movidos por eventos inconscientes que nem mesmo temos a dimensão do porquê fazemos isso ou aquilo. É por isso que chamo de “suporte à vida” este processo de psicoterapia.
Tenho certeza de uma coisa, a vida é difícil, muitas são as lutas, dificuldades, perdas e até mesmo vitórias e conquistas, momentos estes em que não sabemos lidar com aquilo que vivenciamos e que experimentamos mas, frente a tudo isso, um processo de psicoterapia pode nos ajudar e muito a darmos as respostas corretas, principalmente a partir de um conhecimento mais profundo daquilo que somos e do que realmente queremos.
Não se preocupe com aquele famoso pensamento: “Mas o que eu vou falar lá?” (risos).
Eu faço psicoterapia e minha vida com ela se torna no mínimo, mais real!
Forte abraço e estamos juntos!