Mecanismos de defesa psíquicos segundo a psicanálise Freudiana

Já citei em postagens anteriores a minha admiração e apreço pela psicanálise e pela figura de Sigmund Freud, considerado “pai” deste eficaz e eficiente método psicoterapêutico.

Uma das grandes contribuições dada a humanidade, por este admirável personagem de nossa história, que proporcionou uma singular oportunidade de desenvolvimento do conhecimento científico e prática clínica, referente a dimensão psíquica e tratamento de suas patologias, foi a descoberta do inconsciente humano.

Inconsciente humano que pode, em uma análise e representação bem básica e objetiva, ser explicado como o nível mais primitivo, mais inacessível e mais “interior” do aparelho psíquico, onde estão presentes os conteúdos mais angustiantes, aflitivos e temerosos, além das fantasias mais confusas e desejos um tanto quanto controversos, originados a partir de um contexto de hereditariedade ou da própria visão de mundo do sujeito, tendo como principal característica o princípio do prazer, onde o fator tempo e espaço não apresentam uma lógica racional e é totalmente contraditório (sim e não, amor e ódio estão presentes e acontecem simultaneamente).

Ainda na sua primeira teoria sobre o aparelho psíquico, Freud além do inconsciente, apresenta a dimensão do pré-consciente e do consciente, como sendo “estruturas” diferentes por onde “transitam” os impulsos provindos principalmente da “estrutura” inconsciente, relacionando-se com os afetos, sentimentos, pensamentos e experiências internas e externas vividas pelo sujeito ao longo de sua vida e em seu dia a dia.

Mais tarde, em sua segunda teoria sobre o aparelho psíquico, já num sentido de complementar seu pensamento anterior, atualizar sua teoria e dar maior credibilidade à sua obra, Freud apresenta um novo conceito de representação das instâncias psíquicas, sendo o ID a instância mais primitiva e mais profunda, o EGO como sendo o “EU” que media e tenta controlar os desejos e impulsos inconscientes diante das restrições e regras impostas pelo SUPEREGO que podemos dizer, ser a instância que impõe a moralidade para uma melhor vivência normativa e sadia em sociedade.

Pois bem, diante deste resumo das teorias criadas por Freud sobre as estruturas psíquicas, volto a ressaltar a questão do inconsciente humano e a partir daí quero entrar na dimensão dos mecanismos de defesa psíquicos.

Diante de angustias e aflições totalmente desconhecidas por parte do próprio sujeito, residentes em seu inconsciente, que geram pulsões ou impulsos desagradáveis e, frente à situações mentalmente danosas ou eventos geradores de sofrimento e dor vividos em seu dia a dia, o aparelho psíquico humano, como em uma atitude de proteção “ativa” mecanismos de defesa, tentando reprimir e afastar toda espécie de dor, sofrimento e aflição, da percepção consciente. Isso para que o sujeito não entre em total descontrole psíquico e desestruturação mental.

Abaixo serão descritos alguns dos principais mecanismos de defesa psíquicos, segundo a obra de Sigmund Freud:

Sublimação – Neste mecanismo, podemos dizer que há uma canalização de desejos e afetos para outros “objetos”, onde há a transformação de energias psíquicas em atividades voltadas para a dimensão social e/ou cultural. É considerado o mecanismo de defesa mais eficaz e ocorrem em indivíduos considerados normais.

Negação – É um mecanismo onde o sujeito nega seus desejos, pensamentos e sentimentos, ou realidades desagradáveis e indesejadas, fantasiando-as ou simplesmente não as correspondendo através de comportamentos contrários. Podemos dizer que este mecanismo de defesa se relaciona com os fatores de percepção e memória egóicas, ou seja, negando, é como se não estivesse acontecendo.

Regressão – Este mecanismo está intimamente ligado a respostas imaturas do Ego frente aos processos dolorosos, de modo que em mecanismos psíquicos de regressão, o Ego retorna (recua) a níveis anteriores de desenvolvimento humano, fugindo dos medos e aflições atuais. Como por exemplo uma criança que ao ser colocada para dormir em um quarto separado dos pais, começa a urinar na cama, devido ao medo de estar só. Ou o adulto que, diante de uma dificuldade em sua fase atual, com o emprego ou com um relacionamento, tende o desejo de retornar ao seio familiar de seus pais para se sentir mais seguro e protegido.

Projeção – Considerado um mecanismo de defesa primitivo, nele, o sujeito simplesmente tende a não aceitar em si determinadas pulsões (pensamentos, sentimentos, comportamentos, desejos) e com isso os projeta ou os enxerga em outras pessoas ou coisas. Eu projeto no outro aquilo que não aceito em mim.

Repressão – A repressão é justamente o mecanismo de defesa psíquico que impede que os conteúdos dolorosos, aflitivos e angustiantes emerjam do inconsciente ao consciente, porém sem perderem sua carga de energia psíquica. Este foi o primeiro mecanismo descoberto por Freud em suas análises clínicas com os histéricos e neuróticos. É basicamente o conceito do recalque que muitas vezes, devido a este mesmo recalque da carga de energia reprimida, surgem as psicopatologias.

Racionalização – Na tentativa de lidar com as angustias, aflições, comportamentos, sentimentos e pensamentos não aceitáveis e até então mal entendidos ou inexplicáveis do ponto de vista consciente, o sujeito forma um discurso altamente racional e justificativo, tentando dar uma espécie de “sentido”, “significado” ou “desculpa” pelo que se vive ou se viveu interiormente ou exteriormente.

Estes são alguns e talvez o principais mecanismos de defesa psíquicos citados por Freud em sua obra e que dão ideia da dimensão da complexidade do aparelho psíquico humano, do inconsciente, da difícil tarefa do Ego frente a necessidade de prazer e pulsões do ID e da moralidade imposta pelo SUPEREGO.

OBS: Esta postagem será utilizada como trabalho de conclusão de módulo no meu curso de psicanálise.

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