A responsabilidade de tudo é só minha

Vamos lá… Ferraram a sua infância, te abandonaram, te maltrataram, te passaram para trás, te deixaram só (a solidão é grande), na escola sofreu bullying por ser a mais feia, mais magra, mais gordo, mais lento, muito branco, negro, com as orelhas grandes, muito tímida, estrangeiro, etc, (embora as vezes também praticasse alguns desses mesmos bullying), não teve referência paterna ou materna, viveu alguns traumas que deixaram marcas profundas, no trabalho nem sempre se adaptou, isso quando conseguiu arrumar um trabalho decente, nos relacionamentos… vishiiiii, melhor nem comentar!!! Com o pai, a mãe, o irmão, a família, sempre se sentiu o “patinho feio”, com o chefe, só raiva e stress, com a esposa, marido, filhos, a vontade sempre foi de “fugir do mapa”, de se esconder em uma ilha deserta para tentar descansar um pouco. Consigo mesmo… só decepção e fracasso!

E aí surgem as desilusões, angústias, falta de vontade, falta de coragem, medo, inseguranças, complexos, baixa auto-estima, raiva, irritação, pensamentos de morte… sim, pensamento de que a vida não foi feita para você. “A vida errou na minha vez!”

Próximo passo… ansiedade, síndrome do pânico, depressão e… remédios! Talvez antes mesmo de completar 30 anos de idade (o que para muitos seria a idade do auge do sucesso)!

Pois é, a vida não é fácil! Nos milhares de milhões de livros já escritos na história humana com certeza não se encontrará um que vá dizer que a vida é fácil. Reunindo todos os idosos ao longo do globo terrestre para uma pesquisa de uma única pergunta: A vida foi fácil? A resposta com certeza será: Não, não foi fácil!

Mas e aí? O que faço agora?

O mais comum e compreensível é que a pessoa que tenha passado por tudo ou parte disso que citei acima, tenha como principal atitude, até mesmo num sentido de aliviar suas tensões, tentar dar significado aos problemas e principalmente tentar “sair dessa”, sair por aí colocando a culpa e a responsabilidade de toda a “merda vivida” nos outros (em especial nos mais próximos), nas situações, na vida e até mesmo em Deus (isso para quem acredita Nele e, nessas horas até o ateu “mete o pau” no tal Deus).

Abrindo um parênteses aqui, eu sou o campeão em tentar achar culpados para meus problemas e já fiz sofrer muita gente que me ama por causa disso. Por experiência própria eu digo, esse não é o melhor caminho e pedir desculpas depois vai ser ainda mais difícil.

Pois bem… sim, com certeza grande parte do seu sofrimento atual, talvez já até experimentando a vivência angustiante e perturbadora de um transtorno mental, afetivo/emocional como a depressão maior, a ansiedade generalizada e/ou o transtorno de pânico, tenha ocorrido por culpa de outras pessoas, de algumas situações que poderiam ter sido evitadas (em especial na infância e adolescência), por culpa de pessoas bem próximas a você como pai, mãe, irmã, irmão, ou por aquele (a) namorado (a), esposa, marido ou até mesmo por culpa dos próprios filhos ou “amigos”. Isto é fato!

Pessoas nos machucam o tempo todo, nos ferem, nos abandonam, nos enganam, nos marcam com suas atitudes mesquinhas e arrogantes, nos decepcionam, nos prejudicam, etc, mas com certeza nós também fazemos tudo isso aos outros e, as vezes até de forma pior. Aqui, ninguém é perfeito, ninguém nasceu sabendo, alias, ninguém sabe de nada. Hoje estamos aqui “vivinhos da Silva”, amanhã ou daqui a algumas horas, já não temos nem ideia do que vai acontecer.

Sendo assim, dá para se ter uma ideia de que nessa altura do campeonato, ficar olhando para trás, para os outros, para as cagadas que fizemos ou que fizeram com a gente, não ajuda em nada, não contribui em nada para nossa melhora, para nossa recuperação, para um “daqui pra frente” melhor! Aliás o ideal é isso, o “daqui pra frente”! Mas não só o “daqui pra frente” com base num futuro de projeções, sonhos, metas e objetivos, ilusórios, inalcançáveis, utópicos, movidos por mágoas, ressentimentos, vontade de “mostrar ao mundo”, sonhos e objetivos esses que não passarão de mais um tipo de fuga, que mais cedo ou mais tarde se transformarão em novos fardos insuportáveis de se carregar. Ou seja, mais fracasso e decepção!

Mas o ideal é o “daqui pra frente” que está embasado no hoje, no agora, na resposta a situação vivida e experimentada neste momento. Com dor mesmo, com sofrimento mesmo! AGORA! De “hoje pra frente”.

Daí a responsabilidade pela nossa vida ser toda sua e toda minha, independente do que vivemos, do que passamos, das bordoadas e ferradas que levamos da vida e dos outros (em especial os mais próximos e com certeza os que mais nos amam e amamos)! Ninguém é perfeito!

A responsabilidade de tudo isso é só sua, é só minha e de mais ninguém. A resposta a tudo isso é só sua, é só minha e de mais ninguém! Eu e você precisamos olhar pra frente, olhar para nós mesmos e embora olhando só encontremos um amontoado de medo, de culpa, de fraqueza, de doença, é a partir daí que precisamos dar a nossa resposta à vida! A PARTIR DAÍ! Sim, é preciso coragem, e isso eu tenho certeza absoluta que não falta à condição humana, ela, a coragem, precisa apenas ser treinada, assim como qualquer exercício físico. É preciso se levantar, é preciso caminhar, um passo de cada vez, com coragem! Há algo de bom em mim e em ti. Há algo maior que supera tudo isso!

A sua e a minha biologia tem a capacidade para dar respostas coerentes, refinadas, transcendentes e corajosas à tudo o que a vida ainda tem a nos oferecer de bom, embora ainda nem tenhamos consciência do que é esse “bom”! É preciso ir pra cima!

São três as dicas que te dou e, que quero usar daqui pra frente:

  • Coragem – Tenhamos coragem!
  • Esperança – Tenhamos esperança!
  • Paciência – Tenhamos paciência, em especial com a gente mesmo!

Vamos em frente, estamos juntos nessa! A responsabilidade é só nossa!

Deixe um comentário