Eu fracasso, tu fracassas, eles e elas fracassam… e assim por diante!

Minha gente, hoje eu iria escrever sobre solidão, tema tão interessante e de certa forma tão atual, que tem causado muita angustia e desespero à tantas pessoas, principalmente à pessoas que sofrem de algum transtorno psíquico, mas devido ao meu dia não estar sendo um dia muito bom, vou escrever sobre fracasso mesmo! (risos)

Solidão e fracasso podem até ter uma relação entre si, tendo em vista que a pessoa que se sente fracassada provavelmente também vai se sentir só. Mas não é por aí que quero conduzir este texto, então vamos deixar a solidão para um outro momento e nos atentarmos ao fracasso nosso de cada dia.

Antes de mais nada quero só lembrar que você não é “a última bolacha do pacote” para se sentir o único, mais ou maior fracassado da face da terra. Não é porque você não possui o que os outros tem, não alcançou o que os outros alcançaram, não é bonito (a) como os outros são, não tem a saúde e o dinheiro que os outros tem, não possui a família ou os amigos que outros possuem, etc, etc, etc… que você poderá chamar de sua, a condição de fracassado! Não, não e não! Todas essas pessoas citadas acima, também já fracassaram em algum momento, aliás fracassam diariamente. Pode ter certeza! Sejam em escolhas mal feitas, palavras mal ditas, comportamentos errados, atitudes mal pensadas, entre outras formas de “fracassar”, consigo mesmo ou com os outros. Fracassos maiores, fracassos menores, fracassos de grande relevância, fracassos que nos levam ao seguinte pensamento: “Que merda! E agora?”

Hummmm… mas aí está uma dica valiosa. Se em algum momento de nossas vidas tivemos que fazer, para nós mesmos, a seguinte pergunta: “E agora?”, é porque provavelmente já estamos cientes de que podem existir possibilidades de mudar, resolver, solucionar, contornar o tal fracasso. Daí a ideia de que fracasso não é uma condição estável e permanente. Lembre-se disso! O fracasso é momentâneo e passageiro. Pode até ser que as consequências de um fracasso gerem transtornos e problemas, mas isso não impede que, o até então portador do eventual fracasso, lute para mudar as coisas e obter novos resultados. Para falar a verdade, alguns fracassos são até importantes, para abrir nossos olhos, mudar certas direções e percepções da vida, para nos dar consciência de que talvez, o que é realmente importante, está sendo deixado para trás, e assim por diante.

O fracasso é uma condição, ou melhor, uma situação recorrente na vida humana! Eu fracasso (e muito), tu fracassas, eles e elas fracassam e assim por diante. E daí? Enquanto não tirarmos de nossa cabeça essa ideia auto-destrutiva e idiota de que temos que vencer em todos os momentos, apresentar os melhores resultados, superarmos a nós mesmos e principalmente aos outros, conhecermos mais, possuírmos mais, conquistarmos mais, etc, nosso estado de stress, ansiedade e angustia permanecerão “rindo” de nossa cara e nos causando muito mal. Sem contar que, na busca por tudo isso, é bem provável que teremos que esconder cada vez mais, de nós mesmos e, principalmente dos outros as nossas próprias fraquezas, limitações, defeitos e os incômodos fracassos, entrando em um processo de negação, de inquietação e muita irritação, com um tremendo sentimento de culpa que engatilhará processos de baixa auto-estima, isolamento, insegurança, auto-punição entre outros processos psíquicos altamente negativos que, quanto maior a intensidade, mais prejudiciais serão para nós mesmos e para quem está a nossa volta. Sem contar que a partir de um determinado momento iremos sair culpando todo mundo por já não conseguirmos dar conta de tudo! E é a partir daí que, na maioria das vezes surgem as primeiras manifestações de transtornos psíquicos mais sérios e que requerem uma maior atenção e cuidado.

Pessoas com depressão, transtorno de pânico, ansiedade generalizada, entre outros transtornos já trazem consigo, devido a própria condição, uma forte tendência a intensificar o negativo das coisas, a ter uma visão distorcida de si mesma (o) e, a condição de fracasso para essas pessoas, pode ser entendida como uma vertente do próprio transtorno, principalmente devido a incapacidade de formular pensamentos e raciocínios mais reais sobre si. Tudo isso devido a sua condição emocional, afetiva e/ou até química cerebral fora do “normal”.

Tratamentos psicoterapeuticos são extremamente essenciais e benéficos para que essas pessoas superem esses processos cognitivos aflitivos e errôneos sobre si e enxerguem a vida de uma forma mais real, aceitando suas condições e “limitações”, se assim podemos chamar.

O fracasso precisa ser resignificado em nossas vidas, precisa ser entendido como uma nova chance de aprender, de mudar, de consertar o que parece estar errado. O fracasso precisa ser entendido como uma possibilidade de exercermos a humildade na aceitação da nossa condição humana que está em constante aprendizado, evolução e transformação. Esse é o único caminho, senão, é bem provável que ansiolíticos e antidepressivos estarão a espera de nossa visita à farmácia mais próxima.

Pense bem! Pense no que realmente vale a pena se preocupar e, pelo que vale a pena lutar! E acima de tudo, entenda que o fracasso faz parte, só não fique parado (a) nele!

OBS: Nunca se automedique. Se sentir necessidade busque auxílio médico adequado!

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