Alguém com pânico… Como ajudar?

Caros amigos, nesta postagem quero auxiliar com algumas dicas práticas, por experiência própria (já pude ajudar e ser ajudado) e de acordo com o que já ouvi de alguns médicos psiquiatras e psicólogos, à pessoas que se deparam, em seu dia a dia, com alguém que esteja passando por um momento de transtorno e/ou “ataque” de pânico.

Não parece ser fácil e é, de certa forma, até assustador enfrentar estes momentos, tanto por parte de quem está sofrendo o transtorno, como para quem está próximo, seja um familiar, um amigo, um colega de trabalho ou um desconhecido.

Como já citei em uma postagem anterior, o “ataque” de pânico dura em média cerca de 5 a 20 minutos, podendo se estender um pouco mais (para quem está passando, parece não ter fim), porém sem perigo de risco de vida ou letalidade.

O que mais assusta neste momento, são os sintomas apresentados pela pessoa que está sofrendo o transtorno, como falta de ar, aumento dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, suor frio, nauseas, dor no peito e no estômago, tontura, sensação de estar enlouquecendo, desrealização, despersonalização (estes três últimos sintomas ocorrem devido a rápida troca de gases – oxigênio e gás carbônico – no organismo devido a necessidade de hiperventilação), entre outros sintomas, com uma perturbadora sensação de que irá morrer.

Mas volto a dizer, isso não é letal! A pessoa se assusta e é tomada pelo sentimento de medo por se voltar totalmente para os próprios sintomas. Cabe aqui ressaltar que são aparentemente as mesmas sensações de quem, por exemplo, acabou de correr uma maratona, ou está ansiosa (o) para enfrentar um momento de exposição normal no dia a dia (Exemplo: uma entrevista de emprego ou uma apresentação). É um processo de luta ou fuga em que o sistema Nervoso Central, o sistema Periférico e Simpático são “ativados” e “excitados”, causando estas reações e atividades intensas em diversos órgãos no corpo. O sistema Parasimpático tende a equilibrar “as coisas”.

Sendo assim, podemos entender que o ataque de pânico é apenas uma reação do próprio organismo a momentos de forte stress, desgaste físico, emocional, traumas, entre outros fatores biológicos, hormonais e genéticos. Vale buscar entender e diferenciar esses fatores à partir de um conhecimento mais profundo sobre o tema e sobre si mesmo.

Um período mais longo de “ataques” de pânico recorrentes já tende a ser entendido como um transtorno de pânico (um quadro psíquico) e para estes casos já é recomendado a procura por profissionais especializados como um médico psiquiatra e/ou um psicoterapeuta, para tratar o quadro através de tratamentos específicos, com ou sem medicação. Isso cabe ao médico, nunca se auto-medique ou dê medicamentos a outra pessoa sem prescrição médica!

Pois bem, vamos então as dicas práticas:

Primeiro de tudo é interessante conhecer melhor o tema, mesmo que você não seja da área da saúde ou tenha alguém próximo passando por este tipo de transtorno psíquico. Vale a pena entender pelo menos o básico para saber diferenciar os sintomas de possíveis problemas reais e físicos, como por exemplo um ataque cardíaco, ou uma queda de pressão, ou um simples desmaio por falta de alimentação. Acredito que as informações acima já podem ser consideradas um começo.

Uma dica importante é que a pessoa que está passando pelo “ataque” de pânico não tem controle algum sobre a própria situação. Isso não é controlável, é involuntário. Pedir para a pessoa ficar calma ou tentar se controlar só piora a situação, pois a faz se sentir pior, justamente por não conseguir “responder” ao pedido. E quanto mais ela tenta resistir ou lutar com o processo involuntário sintomático, mais intenso ele fica assim como mais longa é a duração da “crise”. Por não conseguir se controlar, ocorre uma espécie de processo de autocrítica e isso não é nada bom.

Uma segunda atitude benéfica e pratica é manter a própria calma, por mais difícil que pareça ser, mostrando para a pessoa transtornada que nada de pior irá ocorrer com ela, simplesmente com a sua presença próxima à ela. Isto nada mais é do que transmissão de segurança e proteção, justamente o que uma pessoa com pânico mais precisa. Não demonstre necessidade de pressa em relação a melhora dos sintomas. Segure em sua mão!

Falando em sintomas, é importantíssimo que você (pessoa que está ajudando) não foque neles. A pessoa com pânico, como já citei acima, está totalmente voltada para os próprios sintomas, encarando-os de forma negativa, assustadora e intensa e, ficar fazendo perguntas como: “o que você está sentindo?”, “está melhorando?”, “onde está doendo?”, “porque está acontecendo isso?”, não ajuda em nada e, amplifica a percepção do indivíduo em relação ao seu próprio sofrimento sintomático e angustiante.

Acho que uma das piores coisas a ser falada e ouvida nesse momento é: “você não tem motivos para que isso aconteça!”. Para quem está sofrendo, além de todo o processo, esta frase gera um sentimento de culpa e constrangimento.

Um próximo passo muito importante e que, com certeza irá começar a diminuir a intensidade do pânico, “contornando o problema”, é tentar redirecionar a atenção da pessoa com a “crise” para outra coisa, outra situação, outro foco que não sejam os próprios sintomas. É extremamente útil utilizar técnicas de respiração, se necessário respirando lentamente junto à pessoa, puxando o ar pelo nariz, segurando um pouco e depois soltando pela boca, de forma lenta e gradual por alguns minutos.

Se for possível tire a pessoa do ambiente ou local em que está, já que o pânico pode ter ocorrido devido ao próprio ambiente tumultuado, muito cheio, com muito barulho, etc.

Vale sempre ressaltar que um copo de água não faz mal a ninguém e que, se possível, sentar ou até mesmo deitar a pessoa (como disse, se possível), também pode ajudar e muito, mas evite movimentos bruscos ou que demonstrem chamar muito a atenção, pois o sentimento de constrangimento diante de possíveis julgamentos e olhares de outras pessoas pode atrapalhar na melhora da condição. Tente ser discreto durante o auxílio, é o que a pessoa com pânico mais deseja.

Pois bem, com estas atitudes e dentro das possibilidades do momento, é bem provável que o “ataque” de pânico irá passar e a pessoa aos poucos irá se recuperar, ainda que se mantenha com certo medo e ansiedade. Porém, caso veja a necessidade de um auxílio mais profissional, entre em contato ou procure por alguém, próximo à você, da área de saúde e como disse, sempre mantenha a calma.

Para quem sofreu ou sofre desses transtornos psíquicos, volto a recomendar a busca por orientação médica profissional e tratamento adequado!

Qualquer pessoa pode passar por isso em algum momento da vida, principalmente nessa vida corrida e estressante em que vivemos atualmente!

Mais uma vez, não tenha medo… estamos juntos!

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