“Pisei na bola!”

Pois bem meus caros, o intuito da criação do blog sempre foi tratar de temas que fazem referência a quadros de transtornos psíquicos e auxiliar aos portadores desses transtornos com informações, dicas, experiências próprias, etc, mas hoje quero escrever não só para quem sofre com essas angustias e aflições da mente, mas também, para pessoas consideradas normais e saudáveis. Hoje quero escrever para todos!

E o assunto principal que quero abordar é a questão do arrependimento, a partir dos nossos erros!

Todos erram em algum momento da vida, alguns erram mais, outros erram menos, mas o fato é que todos erram. Erramos em nossas escolhas, erramos nas palavras mal ditas, erramos nas decisões, erramos quando agimos tomados pelo medo, pelo ressentimento, pela empolgação, erramos quando deixamos de agir por esses mesmos motivos, erramos quando fazemos escolhas inadequadas, erramos quando achamos que sabemos tudo, ou quando pensamos não saber nada!

Erramos por excesso de amor ou por falta dele, erramos com quem mais amamos e com quem, errôneamente, pensamos não precisar de amor!

Todos erram, e todos “pisam na bola” de alguma forma e, em algum momento!

Pessoas com transtornos psíquicos erram quando, fechados e presos ao seu próprio mundo de dor e aflição buscam culpar à todos a sua volta, pelo seu estado e condição. Pessoas consideradas saudáveis erram quando se acham superpoderosas, cheias de razão e invencíveis. Pois bem, todos erram, pois errar é humano como já dizia o famoso ditado. Errar faz parte da vida e, como diziam as vovós: é errando que se aprende!

Erramos com nossos pais, erramos com nossos filhos, erramos com nossa esposa ou marido, erramos com os amigos, erramos com os colegas de trabalho, e eles também erram com a gente. Erramos porque a vida não é feita só de acertos! Assim ficaria muito fácil…

Mas e daí? É bom errar?

Claro que não, é horrível! Quem gosta de errar? Quem gosta de se sentir mal, com sentimento de culpa ou remorso? Quem gosta de se sentir limitado pelos próprios erros? Quem gosta de se sentir triste por ter percebido que errou com palavras ou ações, em relação à pessoas que amamos e queremos bem?

Ninguém! Ninguém gosta de errar! Ninguém quer errar…

Mas o erro não é o fim em si mesmo. E aí está a beleza da vida com seus mistérios mais insondáveis e extraordinários que, ao seu tempo e da sua forma, transforma nossos erros em verdadeiros acertos, cujo sentido jamais poderíamos prever ou imaginar!

E em que sentido digo isso?!

Digo isso, no sentido de que a partir da experiência com nossos próprios erros, podemos vivenciar a possibilidade de encontro com a nossa própria condição humana, frágil, limitada e imperfeita. Tudo o que fazemos questão, a todo momento, de negarmos e escondermos do mundo, das pessoas e de nós mesmos.

Ainda a partir dos nossos erros, podemos vivenciar momentos de reencontros, momentos de pedir e de dar o perdão, momentos de reaproximação, de retomadas, de correção nas decisões, de enfrentamento, de superação se assim podemos dizer!

O erro, ao ser entendido como parte da condição humana, ganha um novo sentido, um sentido de recomeço, nos dá a possibilidade de resignificação da nossa forma de pensar, enxergar a vida, de se expressar. O erro, quando nos causa indignação, de forma sadia, faz com que saíamos de nós mesmos, para buscarmos a condição de acerto (por mais que isso seja doloroso). Nessas horas, reconhecer o erro e voltar atrás, ou simplesmente fazer o que deva ser feito (e aqui cada um sabe onde, como e com quem errou) nos dá a possibilidade de que todo orgulho e vaidade existentes em nosso coração sejam quebrados e deixados para trás. Isso nos deixa mais leves, nos deixa mais felizes, nos deixa mais saudáveis, isso cura, isso liberta!

“Pisar na bola” é normal, não é legal, mas é normal! A culpa pelo erro é que faz mal, assim como a paralisia, frente a necessidade de correção do erro cometido. A forma de corrigir é buscando o acerto! E eu e você sabemos, no intimo de nós mesmos, o que precisa ser feito!

Errar é humano e corrigir o próprio erro, da forma que você entender ser a melhor, é um gesto de amor. Amor a si mesmo e amor ao outro!

Só quem errou sabe o verdadeiro valor de um acerto!

Deixe um comentário