Um pouquinho de Freud

Como já citei anteriormente, eu faço um curso de psicanálise clínica e, nesta postagem quero apresentar um trabalho que terminei agora a pouco para este curso, sobre um conceito apresentado por Freud em sua obra, mais especificamente no livro “A interpretação dos sonhos” lançado em 1900, sobre a teoria do primeiro modelo topográfico do aparelho psíquico.

Sigmund Freud, pai da psicanálise foi quem apresentou ao mundo a dimensão do inconsciente psíquico (final do século XIX e início do século XX) até então totalmente desconhecido pelas antigas gerações e, com isso abriu-nos a possibilidade de adentramos, a partir de sua vasta obra, nesse mundo interessantíssimo da mente humana.

Abaixo apresento o citado trabalho sobre o Modelo Topográfico do Aparelho Psíquico!

O modelo Topográfico do Aparelho Psíquico

Sigmund Freud (médico neurologista), considerado o pai da psicanálise, desenvolveu a teoria psicanalítica com base em seus estudos e atendimentos clínicos de pacientes histéricos e neuróticos.

Dentre todas as suas descobertas, conceitos, ideias, destaca-se sem sombra de dúvidas a questão do inconsciente humano, até então totalmente oculto e desconhecido pela ciência da época, embora alguns filósofos, escritores, religiosos já, antes de Freud tenham de certa forma, tentado explicar esta dimensão da mente humana.

O atendimento clínico psicanalítico “analista x paciente” com sua estrutura metodológica de livre associação, sem censura e sem sugestões, também foi uma descoberta importantíssima e fundamental para a psicanálise, embasada em conceitos de transferência, defesas, resistências, recalques, pulsões, sexualidade infantil, complexo de Édipo e, investigação atenta das “entre linhas inconscientes” expressas pelo paciente em sua fala, que até então tinha o auxílio da hipnose, descoberta e desenvolvida por Charcot, mas que, apesar de ter o seu valor legítimo na história da psicanálise, foi dispensada por Freud ao longo de seus atendimentos, tendo em vista que já não surtia o efeito desejado por ele.

Pois bem, dentre tantas descobertas e ao longo de toda a literatura psicanalítica desenvolvida por Freud em sua obra, neste trabalho, quero destacar a formulação do modelo topográfico do aparelho psíquico, que mais tarde foi reestruturado e complementado pelo próprio Freud, no modelo estrutural psíquico, sendo que este último não descartou o primeiro, mas como disse, foi desenvolvido em caráter de melhoramento ou aprimoramento teórico. Aqui vamos permanecer no primeiro modelo.

Sobre o modelo topográfico do aparelho psíquico, vale destacar o conceito de “topo”, que se refere aos lugares e funções específicas de determinadas instâncias na mente humana que interagem entre si e realizam toda a dinâmica do psiquismo humano. 

São elas: o Inconsciente (Ics), o Pré-consciente (Pcs) e o Consciente (Cs).

Antes de explicar o conceito e teoria sobre essas instâncias quero apenas, “abrir um parênteses”, sobre a ideia das pulsões e das resistências. Sobre pulsões, Freud vai explicar em sua obra, a dimensão das pulsões de vida e de morte, que resumidamente podemos entender serem excitações interiores ou desejos que buscam uma satisfação e/ou descarga de alguma forma, a partir de uma quantidade de energia econômica e dinâmica (catexização). Que transita entre as instâncias. Já a resistência pode ser entendida como um mecanismo de defesa da própria mente humana ou do aparelho psíquico, como uma espécie de barreira, para que os conteúdos entendidos como perigosos ou dolorosos (vivenciados, herdados, recalcados) não venham a ser lembrados e expressos pelo sujeito e, trazidos às instâncias mais conscientes. Essa barreira opera em caráter de proteção da psique humana contra todo esse conteúdo.

Voltando agora às três instâncias do aparelho topográfico, o Inconsciente (Ics) é a instância que pode ser considerada como a dimensão mais primitiva do psiquismo humano, para o Ics não existe tempo, espaço e condições, não há incertezas ou dúvidas, amor e ódio ou sim e não, existem simultaneamente e por isso ele apresenta um caráter ambivalente e assume o princípio da não contradição. Nele estão contidas as pulsões e esta instância é regida totalmente pelo conceito de prazer, ou seja, satisfação e desejo. No Ics não há uma lógica racional e sua dinâmica, devido a sua complexidade, é incompreensível ao entendimento racional. Ainda no inconsciente estão “gravadas” as experiências infantis, sensações e os traços mnêmicos mais “profundos” vivenciados e herdados, além de fantasias muitas vezes aflitivas e angustiantes. Podemos dizer que no inconsciente ocorrem os processos primários.

Já em relação aos processos secundários destacam-se o Pré-consciente e o Consciente.

O Pré-consciente (Pcs) deve ser entendido como a instância que filtra os conteúdos que, podem ou não transitarem do inconsciente para o consciente, de forma saudável e segura para o sujeito. Ele funciona como um filtro e é nele, que se encontram as barreiras ou recalcamento, de forma que os conteúdos dolorosos do Ics não transitem do processo Ics – Pcs para Pcs – Cs. Para Freud, a linguagem se estrutura nessa instância e é a partir daí que, quando criança, o sujeito passa a entender de forma mais clara a representação da palavra e das coisas, a partir de suas experiências e do significado destas, adquirido por ele. Conteúdos como lembranças, ideias, pensamentos, etc, podem ser trazidos do Pré-consciente para o consciente com algum esforço por parte da pessoa.     

O Consciente (Cs) é a instância que a mente humana tem total acesso as informações, de forma rápida, dinâmica e real. Nessa instância se destacam a capacidade de raciocínio, percepções de mundo, ponderações, entre outras características de complexidade da formulação do pensamento, questionamento, etc. Se o inconsciente é regido pelo princípio do prazer, o consciente já é regido pelo princípio da realidade e é justamente através disso que ocorre o mecanismo de avaliação e aceitação da satisfação e do desejo, exigidos e provenientes do Ics. Aqui, destaca-se a tolerância ao desprazer.  A representação das palavras e das coisas se unem no nível consciente humano e o sentido ou significado destes podem ser entendidos pela pessoa. O consciente é a instância associada aos sentidos e captação da realidade de mundo (instância mais “próxima” ao corpo) e nele também ocorre um processo de detecção e amortecimento de estímulos na “entrada” das informações no processo psíquico.

Pois bem, como dito anteriormente, este modelo foi reformulado e aperfeiçoado por Sigmund Freud ao longo de sua obra através do modelo estrutural com as estruturas do ID, EGO e SUPEREGO, porém o primeiro modelo jamais perdeu seu valor teórico, sua fundamental importância e relevância nos ensinamentos e na teoria psicanalítica, tanto por parte do próprio Freud, como por seus sucessores.

OBS: O livro “A interpretação dos sonhos” de Sigmund Freud (1900) foi utilizado como referência e fonte para este trabalho. Indico a leitura!

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