E aqui é fato e necessário diferenciarmos momentos normais da vida e do dia a dia, de frustração, de decepção, de medos, situações naturais da vida e da condição humana que todos vivem a todo momento, a todo segundo, seja em seus relacionamentos, em seu convívio familiar, em seu trabalho, estudo, consigo mesmo, fatos que são absolutamente normais e saudáveis, pois nos levam ao crescimento, a superação, a motivação, a busca pelas conquistas. É necessário diferenciar essas situações naturais das situações que envolvem os quadros de transtornos psíquicos em que a pessoa basicamente fica “presa” em si mesma, em seus medos, angustias, fantasias, aflições, e que muitas vezes, quem está “de fora” não entende. Tudo isso devido a dimensão invisível dos sofrimentos e transtornos mentais que só podem ser percebidos pelos sintomas que produzem e que, de certa forma tendem a tornar a pessoa “diferente” daquilo que a sociedade entende como normal, saudável e produtivo.
Transtornos psíquicos são diferentes das doenças que afetam e envolvem determinados órgãos do corpo humano de forma física em sua biologia. Esses transtornos são transtornos da alma, da psique. Aqui não quero entrar na dimensão, genética, do desequilíbrio químico cerebral, ou hormonal, mas tratar da dimensão cognitiva, do pensar, do raciocinar, do sentir, do comportar-se de forma saudável e consciente.
Em um estado de transtorno psíquico a pessoa fica “presa” em si mesma e “perde”, parcial ou completamente, essa capacidade intelectual de enfrentamento, de superação, de formulação complexa dos pensamentos, vivendo assim sob a “sombra” do transtorno, ligada aos estímulos interiores ou exteriores.
Na dimensão externa podemos citar os relacionamentos que a pessoa pensa serem vazios, sem sentido, decepcionantes, traumáticos, sem referência, sufocantes, ou cheios de preconceitos, cobranças, críticas, chegando até mesmo a fantasiar perseguições, inveja, ciúmes, entre outros pensamentos e sentimentos distorcidos da realidade.
Ainda externamente, a questão ambiental, como excesso de iluminação, barulho, cores, etc, pode desgastar e muito a mente da pessoa com o transtorno, tendo em vista já a sua condição.
Já na dimensão interna, dos estímulos interiores e sintomáticos, a pessoa tende a focar em suas dores, dor de cabeça, nos olhos, palpitações, falta de ar, dor na nuca, nauseas, dor no estômago, sensação de morte, de desrealização, de despersonalização, etc. A capacidade de cognição em um transtorno mental e psíquico é totalmente afetado e distorcido.
Para essas pessoas que vivem essa condição “crônica”, longa, interminável de sofrimento “invisível”, até mesmo o próprio tratamento é muitas vezes enxergado como algo ruim, não que o tratamento seja ruim, muito pelo contrário, é a única possibilidade de saída, seja com medicamentos, a partir de um diagnóstico médico correto e adequado, ou com sessões de terapia com um psicoterapeuta, ou com tratamentos alternativos como exercícios físicos, alimentação adequada, meditação, etc. Mas o fato é que essas pessoas que estão “presas” em seus próprios pensamentos negativos, distorcidos e irreais, se entristecem e se decepcionam consigo mesmas por terem que tomar remédios, irem ao médico psiquiatra, psicólogo, fazer determinados exames, tratamentos específicos, etc. Tudo isso angustia ainda mais a pessoa, devido ao preconceito próprio, o sentimento de culpa, o sentimento de incapacidade, a comparação com os outros, etc.
E é aqui que entram as pessoas que estão à volta daqueles que sofrem desses transtornos. É a partir do respeito à condição do outro, da aproximação sem cobranças e sem pressa, da atenção oferecida, do carinho, do abraço, do estar perto, do transmitir confiança e ajuda mesmo sem que seja preciso dizer uma só palavra, do amor sem julgamentos e preconceitos, que o tratamento iniciado, com ou sem medicamentos, com ou sem terapia, com ou sem tratamentos alternativos, vai surtindo efeito de forma ainda que lenta mas gradual, ao seu tempo, sendo “um passo após o outro”, na busca de alcançar o retorno da socialização com o ambiente, com as pessoas, com o trabalho, os estudo, etc, a partir do restabelecimento da capacidade cognitiva e dos afetos saudáveis e resignificados, gerando assim comportamentos livres e conscientes, ainda que surjam altos e baixos, porém já com maior possibilidade de superação e nova visão de vida e de esperança. A experiência de vida vai ganhando novo sentido e sendo fortalecida com a ajuda e auxílio de todos e, principalmente com os tratamentos adequados com profissionais especializados e preparados para isso.
Vai aqui o meu abraço à todos aqueles que tem um ente querido com algum transtorno psíquico. Estamos juntos!
OBS: Nunca se auto medique ou dê medicamentos para outras pessoas sem prescrição médica. Sempre que necessário busque um médico. Todas as informações aqui são de caráter informativo e educativo.