Ansiedade patológica e Depressão

Antes de iniciar, já quero dizer, que todas as informações expressas nesta postagem não tem como objetivo diagnosticar qualquer quadro de transtorno psíquico de qualquer pessoa que seja e, muito menos, conduzir levianamente os leitores a se auto diagnosticarem ou medicarem. Pelo contrário, as informações aqui contidas são de caráter educativo e informativo. Sempre que necessário busque auxílio médico profissional e tratamento adequado.

Meus caros, nessa postagem, quero explicar de forma clara e resumida (o intuito aqui é despertar a curiosidade e desejo de busca por mais informações) o contexto, dimensão, situação e processo destes dois transtornos psíquicos aos quais já fui diagnosticado e, com os quais convivo a um certo tempo de vida (eu e boa parte da população mundial). Todas essas informações, tem como base minha experiência de vida e informações do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua quinta edição).

Antes de mais nada quero explicar que o DSM-5 pode ser considerado como um documento ou um tratado desenvolvido pela American Psychiatric Association que apresenta de forma sistemática uma classificação dos transtornos mentais, de forma a colaborar e facilitar processos de diagnósticos clínicos por parte dos médicos psiquiatras, clínicos, neurologistas, entre outros profissionais de saúde. E tendo este uma história de cerca de 60 anos, com diversas versões e atualizações de suas informações, é utilizado como referência na formação acadêmica e principalmente prática clínica. Gostaria apenas de ressaltar que a prática clínica, como o próprio nome diz, é uma questão de prática e tendo em vista que cada pessoa é uma pessoa, com seus processos fisiológicos, biológicos, genéticos, experiência de vida, etc, todo tratamento deve ser de certa forma personalizado, a partir da experiência do médico e condições do paciente. Por isso, como já ouvi de outras pessoas desta área, muitas vezes o DSM-5 ou versões anteriores deste documento podem ser questionadas, e até mesmo não tão aceitas, mas isto fica a critério dos profissionais da saúde.

Abrindo aqui um parenteses, quero lembrar e descrever um fato de uma pessoa aparentemente “saudável” que conheci, que por diversas vezes (talvez até por ignorância), não aceitava a condição de um membro de sua família que apresentava um quadro de depressão já a muitos anos, e vivia dizendo que esta pessoa era “mole”, “fraca” e toda aquela situação era “falta do que fazer”. O fato é esta mesma pessoa que dizia tudo isso, não conseguia manter um relacionamento amoroso por no máximo duas semanas devido ao excesso de ciúmes e obsessividade, já havia “estourado” os limites do cartão de crédito várias vezes, era constantemente agressivo, fumava quatro maços de cigarro por dia e se auto medicava constantemente visando melhorar suas dores cronicas de cabeça e estômago, além é claro de passar a maior parte do fim de semana bebendo álcool com aqueles que ele chamava de amigos, a ponto de voltar embriagado para a casa com a esperança de dormir melhor.

Nessas horas eu me pergunto: Quem realmente está doente em uma situação como essa?

Gostaria ainda, antes de detalhar a diferença entre esses transtornos e explicá-los, mencionar que existe uma certa comorbidade entre eles, a depressão e a ansiedade patológica. Ou seja, existe ou pode existir uma relação entre eles e/ou predisposição de manifestação de ambas.

Muito bem, vamos lá…

Como descrevi em uma postagem anterior, a ansiedade faz parte da condição humana. A ansiedade normal é até mesmo sadia pois proporciona expectativas boas, nos conduz a processos motivacionais, de conquistas e de recompensas. É extremamente inerente à existência humana, em suas atitudes, relacionamentos, trabalhos, e atividades diárias. Momentos de ansiedade são absolutamente entendidos como compreensíveis e benéficos.

O fato negativo é quando ela começa a atrapalhar e, de algo normal, por diversos motivos se torna uma patologia ou seja, se transforma em transtorno psíquico e mental, não permitindo uma melhor qualidade de vida por parte do sujeito e muitas vezes o paralisando e impossibilitando de realizar suas atividades diárias que normalmente realizava, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Em uma postagem anterior descrevi a diferença do medo e da ansiedade, ao qual o primeiro é uma resposta natural a uma ameaça real e iminente ao sujeito, enquanto o segundo é mais entendido como a emoção e/ou afeto despertado a partir da resposta de medo e, de expectativas futuras. Essas situações normalmente fazem parte do processo de luta e fuga que é desencadeado com as ameaças de perigo conforme citado acima. Todo esse processo, sentimentos e emoções são absolutamente normais.

A ansiedade passa a se tornar patológica e os transtornos de ansiedade passam a existir quando esta mesma ansiedade se torna algo que gera um sofrimento angustiante, excessivo e constante por um determinado período de tempo, limitando a pessoa de exercer suas atividades com tranquilidade, concentração e de forma saudável. Um transtorno de ansiedade desgasta muito a pessoa, tanto física como psicologicamente, a leva a esquiva de algumas situações, relacionamentos e ambientes, seja por medo de suas reações (físicas e emocionais), constrangimento e até mesmo por sentimento de incapacidade.

Aqui eu ressalto que a genética, experiências de vida (principalmente na infância), biologia e fisiologia, stress diário e constante, má adaptação a determinados ambientes, má alimentação, vivência em grandes cidades com muita violência, trânsito intenso e constante sensação de ameaça, ambiente social e familiar inadequados, desemprego ou excesso de cobrança e auto cobrança no trabalho, entre tantos outros fatores, podem fazer com que uma simples ansiedade se torne uma ansiedade patológica com o desenvolvimento de transtornos de ansiedade. Abaixo quero citar alguns de acordo com o DSM-5:

  • Transtorno de ansiedade de separação;
  • Mutismo seletivo;
  • Fobias específicas;
  • Transtorno de ansiedade social (Fobia Social);
  • Transtorno de pânico;
  • Agorafobia;
  • Transtorno de ansiedade generalizada (TAG);
  • entre outros transtornos que podem estar associados a medicamentos, uso de substâncias ilícitas e ou relacionados a algumas doenças físicas como por exemplo hipertiroidismo (relação a condições hormonais);

Vale a pena, para quem acredita ser necessário ou tem curiosidade, buscar mais informações sobre essa classe de transtornos de ansiedade com todas as suas especificidades. Eu acredito que uma parte fundamental de um tratamento é conhecer e entender melhor o que se passa com a gente (tanto para quem sofre com o transtorno como para seus familiares e pessoas próximas) e, o DSM-5, a partir de uma análise em condições de “paz consigo mesmo” e com discernimento, pode sim ser uma grande ferramenta de esclarecimento, entendimento e informação.

Volto a ressaltar, sempre que achar necessário busque informações e tratamento com profissionais da saúde. Somente um médico pode fazer um diagnóstico clínico. Não tenha medo e receio de buscar ajuda.

Em caráter de auto exposição, para colaborar de certa forma com quem sofre de algum quadro desses, eu mesmo já fui diagnostico com TAG, fobias específicas e transtorno de pânico. Continuo vivendo, me tratando, e apaixonado pela vida. Altos e baixos sempre irão existir! É a vida!

Agora falamos um pouco sobre a depressão ou transtornos depressivos.

Se antes falei que a ansiedade é algo normal, quero agora dizer que tristeza, melancolia, desgosto, aflição, irritação, etc, em determinado momentos da vida, principalmente devido a decepções, perdas, frustração, mágoas, insatisfação e até mesmo em dias de muito frio (no meu caso – risos), também são sentimentos absolutamente normais, compreensíveis e saudáveis à existência humana. Se sentimos tudo isso é justamente porque somos humanos, sensíveis, necessitados dos outros, necessitados de amor, de relacionamentos afetivos e, de superação das adversidades.

O grande problema é quando devido a alguns fatores internos (genética, biologia, fisiologia, condições hormonais, desequilíbrio químico cerebral) e/ou externos (experiências de vida, traumas, abusos, stress, violência, etc), todos esses sentimentos tomam proporções muito fora do comum, ganhando certa intensidade negativa, causando prostração excessiva, limitando a pessoa de determinadas atividades, gerando grande desgaste físico e emocional e principalmente alterando a dimensão do humor, que é um estado emocional mais abrangente e constante e pode se tornar disfórico, ou seja, desagradável, gerando muita tristeza, sentimento de incapacidade, de culpa, de medo, de falta de sentido e até mesmo falta de vontade de viver, isso tudo por um constante período de tempo. Nesses casos já podemos entender que a pessoa possa estar passando por um quadro de depressão e/ou transtorno depressivo.

Nesses caso é muito comum, choros excessivos, isolamento, perda ou excesso de apetite que fazem com que o sujeito ganhe ou perca muito peso, sentimentos angustiantes de solidão, falta de sentido de vida e falta de esperança na melhora de sua condição física e psíquica. Em situações como essas, em que a família começa a detectar comportamentos deste tipo, é de extrema importância buscar ajuda e auxílio médico o mais breve possível.

Segundo o DSM-5, transtornos depressivos podem ser classificados como:

  • Transtorno Disruptivo da Desregulação do Humor;
  • Transtorno Depressivo Maior (leve, moderado ou grave – sendo em episódio único ou recorrente);
  • Transtorno Depressivo Persistente (Distimia);
  • Transtorno Disfórico Pré-menstrual;
  • entre outros transtornos que podem estar associados a medicamentos, uso de substâncias ilícitas e/ou relacionados a algumas doenças físicas como por exemplo hipotiroidismo (relação a condições hormonais);

Então, como disse… acredito que conhecer e entender melhor o que se passa com a gente são iniciativas importantes para uma melhor compreensão da natureza humana, principalmente neste contexto da correria do dia a dia da vida moderna, em que temos “altos e baixos” a todo momento. Conhecer o próprio organismo, suas reações e deficiências, a partir de uma análise tranquila, de auto aceitação e amor próprio é fundamental para uma excelente qualidade de vida e, buscar ajuda em momentos de grande sofrimento psíquico e/ou físico é questão de inteligência, seja por parte do próprio indivíduo que padece, seja pela sua família, amigos e pessoas próximas. Lembrando sempre que acima de um céu cinzento e nublado existe um grande e maravilhoso sol que brilha, aquece e ilumina continuamente!

Portanto, saiba, quadros de transtornos de ansiedade e depressão possuem tratamento e grande possibilidade de cura e remissão, basta buscar auxílio médico e terapêutico adequados, corretos e eficazes.

Ame-se, ame a vida, ame aos outros… O processo de cura da depressão e da ansiedade patológica são ainda mais efetivos quando regados de muito respeito, atenção, carinho e principalmente amor!

OBS: Para esta postagem foi utilizado como fonte e referência o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua quinta edição).

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