E de repente o medo tomou conta

Meus caros, sabe aquele momento em que você termina de fazer um exercício físico exaustivo, como por exemplo uma corrida maratona, ou aquele momento em que vai dar o primeiro beijo na pessoa amada, ou então vai fazer aquela sonhada entrevista de emprego, ou ainda, vai apresentar aquele trabalho na faculdade? Pois bem, a boca seca, o coração dispara, os músculos se contraem, o intestino parece soltar, a respiração fica ofegante, surge até uma falta ar, os raciocíonios se tornam um pouco confusos e em alguns casos dá até uma certa vertigem ou tontura. Sim, exatamente! Quem nunca sentiu isso em algum momento da vida, em alguma situação em especial dessas?

Bacana! Você sentiu tudo isso por alguns motivos… O primeiro é óbvio e evidente porque você está vivo e isso já é grande motivo de agradecer! O segundo é que todas essas atividades produziram uma série de reações químicas, fisiológicas, psíquicas, afetivas e motoras em seu organismo. Aqui damos credito à alguns sistemas altamente complexos de nosso corpo, o Sistema Nervoso Central, o Sistema Nervoso Autônomo, e mais especificamente o Sistema Nervoso Simpático, assim como o Sistema Nervoso Somático. (Dá um Google aí que vai encontrar bastante coisa interessante sobre o tema)

OK, vamos lá… todas essas sensações são absolutamente normais e saudáveis e acredito que em nenhuma delas (nesses exemplos que citei), surgiu algum tipo de medo ou ansiedade excessivos e fora do comum. Mesmo porque, medo e ansiedade TODO MUNDO tem.

O medo nada mais é do que uma reação humana (psíquica) a uma situação de perigo real e/ou em potencial eminente. Podemos exemplificar isso com uma situação de “vida ou morte”, onde há a necessidade de um enfrentamento ou de disparar na corrida no famoso “pernas pra quem te quero” (a psicologia chama esse conceito de processo de luta ou fuga). Já a ansiedade está mais ligada a emoção sentida e vivida como reação ao próprio medo.

“Medo é a avaliação de perigo; ansiedade é o estado de sentimento desagradável evocado quando o medo é estimulado.” (Beck 1985)

OK, mas e aí, o que tem a ver o corredor, o primeiro beijo apaixonado, a entrevista de emprego com tudo isso e, os sentimentos e pensamentos vividos durante esses momentos em relação a ansiedade e medo?

Hum… então… estava eu em uma festa de aniversário infantil com minha família, amigos, etc, (este foi só um dos caso), e de repente, ao som de todas aquelas crianças brincando, a música ambiente, várias brinquedos muito coloridos, etc, etc, etc, (aqui me refiro a estímulos e podemos falar mais sobre eles em outros posts), resolve-me, a boca secar, o coração disparar, as mão começarem a suar, a temperatura do corpo diminuir, a falta de ar me sufocar, o ambiente começar a ficar todo estranho (desrealização) e os pensamentos em relação a mim e a tudo aquilo ficarem muito confusos (despersonalização). Nesse momento o medo tomou conta de mim por inteiro e a sensação de estar preste a morrer, perder o controle e/ou estar ficando louco foi muito intensa. E o fato mais interessante é que em uma situação de pânico o indivíduo volta toda a sua atenção diretamente para os sintomas que está vivenciando, o que porporciona ainda mais medo e angustia.

Aqui já estamos falando nitidamente de um quadro de transtorno de pânico. Sim, fatores reais de problemas no trabalho, de cansaço, de stress, etc, precederam este momento angustiante e aflitivo, mas até eu entender que “focinho de porco não é tomada”, já haviam se passados cerca de 20 minutos (que nesses casos parecem horas) que é o tempo normal de um ataque de pânico (de 5 a 20 minutos, ou até um pouco mais). Nesse momento é óbvio, pessoas próximas já haviam me conduzido ao clínico geral de um pronto socorro e, um ansiolítico já havia sido prescrito e ingerido e, em segundos (mesmo sem que o efeito do remédio tivesse completado) eu já estava fisicamente normal. Inclusive depois voltei à festa para comer um pedaço de bolo!

Com tudo isso, a intenção deste texto, e em breve quero postar especificamente sobre o transtorno de pânico de acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em sua 5 Edição – Sim, existe um manual sobre tudo isso. Acredite na ciência e na medicina!) é fazer um paralelo entre todos os sintomas vivenciados por alguém em uma crise de pânico com relação as reações fisiológicas, afetivas e psíquicas vividas pelas pessoas em situações absolutamente normais do dia a dia e, que nada mais são do que as mesmas reações. Como por exemplo em uma pessoa em um momento de grande empolgação ou excitação onde costumo dizer, “tudo dispara”. O fato é que no pânico a pessoa se volta para as “reações” ou “sintomas” num processo de interiorização e medo, já nos processos normais do dia a dia as reações não são encaradas como ameaças tendo em vista os componentes compensatórios de suas atividades.

Sindrome do pânico não é letal, não mata! E não quero aqui menosprezar a sua dor e a sua angustia, muito pelo contrário. A sua dor, aflição, angustia tem um valor para você que precisa ser entendido e resignificado de alguma forma, mas o que quero aqui deixar claro é que embora crises de pânico sejam muito desagradáveis (tanto as inesperadas como as já esperadas, ao ter que visitar um determinado local por exemplo), elas jamais te farão o mal que parecem ter o poder de fazer.

E isso é algo muito importante que também deve ser entendido e aprendido pelos familiares que tenham um ente querido padecendo deste mal. Os sintomas são sim apavorantes, mas é um processo absolutamente normal do corpo humano, onde os sistemas já citados acima são por algum motivo ativados (com ou sem uma razão clara e específica) e que tem um período de duração, como disse entre 5 e 20 minutos.

Pois bem, a dica que dou e que tenho aprendido, é não querer lutar contra esses sintomas durante o ataque, mas simplesmente tentar aguardar o processo, atentando- me a respiração, a alguma técnica de relaxamento corporal, me distanciando um pouco do ambiente para evitar a sensação de constrangimento, me aproximando de alguém a qual posso “confiar” e acima de tudo, aceitando o processo em caráter de auto-compaixão. Esse sou eu e esse é o meu processo e, como já disse em um outro post, dane-se a culpa e o preconceito!

Neste caso, o ataque de pânico ocorrendo mais de uma vez em períodos curtos de tempo já parece ser um sinal de necessidade de procura de um especialista e profissional médico, pois fatores importantes precisam ser analisados para verificar as causas dos ataques (aqui entram fatores como genética, experiências de vida, condições hormonais, desequilíbrio químico neural ou simplesmente questões estressantes ambientais do dia a dia). Procure um psiquiatra e/ou psicólogo meu (inha) caro (a), eles nãos são “médicos de louco”, mesmo porque o louco nem sabe que precisa de um médico. Se você ainda consegue raciocinar e pensar em ir a um médico, é porque você está na melhor das faculdades mentais. Então, se precisar, corre lá!

A complexidade do corpo humano me encanta e o conhecimento sobre ele pode nos libertar! Acredite… Tem jeito.

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